sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amamentar é preciso

Para celebrar a Semana Mundial de Amamentação que termina domingo, aí vai a foto do primeiro mamá do Davi. Ainda na Perinatal, seis dias depois do nascimento do Davi. Uma sensação maravilhosa, de vê-lo sem sonda, sugando com força. Chegar nesse estágio demorou uma eternidade, mas quando aconteceu foi uma maravilha. Deixa eu contar.

O primeiro mamá

Quando o Davi nasceu, foi um susto para todo mundo. Nas minhas contas, faltavam pelo menos uns 15 dias até ele estar prontinho para vir ao mundo. Só que nas contas do médico, faltavam 3 semanas e 1 dia para a minha gestação chegar nas 37 semanas. E um dia sequer já faz diferença no desenvolvimento de um bebê, principalmente no pulmão. Por conta da dificuldade de respirar, ele foi para a UTI direto e não tive chance de amamentá-lo quando ele nasceu.

O leite era dado ao Davi por uma sonda e no início não foi o meu leite. Segundo os médicos, ele não poderia esperar por mim para não perder peso. Ele era alimentado com 5ml a cada 3 horas. Assim que consegui andar depois da cirurgia, fui ao lactário, onde as mães dos bebês da UTI tiravam o leite todo dia para seus filhotes.

As enfermeiras me ensinaram a me preparar para a extração do leite: lavar as mãos (mas lavar meeeesmo, não era essa lavada meia boca que normalmente a gente faz no dia-a-dia), os seios, tirar toda a roupa de cima e colocar um aventalzinho, touca e máscara descartáveis. Um trabalhão, que demorava em média uns 15 a 20 minutos. A sala era friiia. Depois era a hora de usar a bomba. Na primeira vez que eu usei, não saiu quase nada. Uns 10 ml no máximo, de um leite amarelo, o famoso colostro. Achei meio bizarro.

Voltava ao lactário a cada três horas, para "simular" o tempo de mamada de um RN. Com o tempo, a quantidade de leite foi aumentando, assim como as rachaduras no bico. Chegava a sangrar, por conta da pressão da máquina. Ficava preocupada de contaminar o leite, mas depois me toquei que era tudo fluido meu e que se fosse ele sugando meu peito era capaz de acontecer a mesma coisa.

Me sentia muito mal de estar ali, tirando leite com uma máquina e não com o Davi no meu peito. Lembro de um dia em que estava com um peso enorme no coração, odiando estar ali, naquele lugar, daquele jeito, com uma máquina acoplada no peito, ouvindo aquele chiado ritmado que ela fazia durante a extração. Pingavam leite do peito e lágrimas dos olhos. Daí, comecei a ouvir as outras mães que iam ao lactário. Não puxava conversa com elas, mas as ouvia conversando entre si. E era cada história, de bebês internados há mais de três meses sem os médicos saberem o que ele tinha, de bebês que tinham sido operados mais de uma vez e não tinham previsão para sair. E aí me senti mal por estar mal por conta do Davi: ele tinha só um pouquinho de dificuldade de respirar, mas nada grave e a previsão era de que em uma semana estaria em casa (o que aumentou depois para 10 dias por conta da icterícia). Então, comecei a ver que eu deveria era estar feliz: feliz pela saúde do Davi e por mim que tinha leite para alimentá-lo da maneira que fosse.

O bom disso tudo foi ver as mamadeiras do lactário enchendo com o meu leite. Quando você amamenta direto, não dá para ver quanto leite sai e lá deu para eu ter uma noção da minha produção. No início, com o colostro, saía menos leite, coisa de uns 70 ml por vez, só que bem amarelo. Lembrava manteiga de garrafa na cor e na consistência, tipo um mingau de milho. Esse leite amarelo durou uns cinco dias e depois foi migrando aos poucos para o leite branco, ficando cada vez mais claro e em maior quantidade, chegando ao ponto de eu deixar no lactário mais de meio litro de leite em um dia de "trabalho" (umas cinco idas ao lactário). Mais do que o Davi dava conta: a alimentação dele foi aumentando progressivamente até chegar aos 50ml por mamada. O que sobrava ia para um banco de leite.

Só que como só tirava leite lá no hospital e ainda não tinha aprendido a como tirar manualmente, chegava em casa com os peitos explodindo, literalmente. Lembro deles enooormes, com a pele brilhante de tão esticada, duros feito pedra. Na primeira noite que isso aconteceu, coloquei compressa de água quente para aliviar a dor. Burra e desinformada, porque o calor bomba a produção de leite. O peito que já estava giga ficou estilo Dolly Parton (não, eu não etou exagerando). A dor era absurda; não conseguia dormir e o leite vazava sem parar. Com o tempo, aprendi a tirar o leite manualmente e tudo ficou mais fácil. Eu acho que nessa época, sem o Davi, chegava a produzir quase um litro de leite por dia: um pouco mais de meio litro ficava na maternida e o resto eu tirava à noite em casa - acabava jogando fora porque a rotina já estava louca demais para eu me preocupar com esterilização em casa também. Era muito leite; cheguei até a ter febre.

Então, enquanto o Davi estava internado, ficava alternando entre o lactário e a UTI. Esquecia de comer, mas não de beber água, porque a produção de leite crescente me dava uma sede danada. Até que em um belo dia, retiraram a sonda da boca e passaram para o nariz. Ele já podia mamar. Ai, que delícia... Para meu deleite, o bichinho pegou o peito de primeira e mamou até apagar. Muito mais gentil do que aquelas máquinas do hospital. Não me machucou nem uma vez. Dali em diante, dei de mamar a ele em todos os horários em que as mães poderiam ficar na UTI (se deixassem, eu bem dormia lá dentro).

E posso dizer que desde então fiquei fã da amamentação. Já falei disso aqui e repito: não tem nada melhor do que alimentar o filhote assim!!!

4 comentários:

Cin disse...

Adorei ler seu relato sobre a amamentação. Gostaria de aproveitar a oportunidade e convidá-la para o sorteio que esta acontecendo no meu blog. Bjao!

zabumba disse...

oi lisa, no nascimento do miguelzinho foi praticamente tudo igual ao nascimento do davi. dificuldade de respirar, uti, sondas, o lactário infernal, as outras mães que já estavam lá a uma eternidade,icterícia e a saída corrida da maternidade com ele apertado no meu colo pra ninguém resolver levá-lo de volta pra caixa de plástico... esse podia ser o meu relato sobre o nascimento dele. me dá nervoso de lembrar. mas também parece que foi a uma vida atrás e esse bebê lindo que agora dorme, outro bebê, comparado com aquele magrinho, miudinho e amarelinho que nasceu.
adorei o seu blog, já li tudo e vou voltar sempre!
bjs
isabel

Maura disse...

Nossa que garotão lindo! As bochechas denunciam o bem da amamentação!!!
tenho uma bebezinha de 7 meses que tb mama no peito!

Bom dia!

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Maura
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No mato sem cachorro disse...

Oi vaquinha! Que delícia de leite, quero dizer, de relato. beijão