sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Entre expectativas, fantasias e realidade


Você encontra o amor da sua vida. Paixão arrebatadora, valores idênticos, um querer bem, longas conversas regadas a vinho (ou não), sempre interessantes. Casam com uma festa de arromba, compram apartamento próprio (sem financiamento) e carro do ano (idem). E quando finalmente decidem começar as tentativas, você engravida logo de primeira.

A gravidez transcorre sem nenhum problema de saúde. Sequer enjôo você tem. Nada de estrias ou varizes. Inchaço? Passa longe. Em todas as ultras e consultas médicas, você vê tudo aquilo que se pretende ver. Sempre está tudo normal, dentro dos parâmetros. E de quebra, o bebê sempre faz uma gracinha ou outra.

Como você e seu marido estão sem dívidas (apartamento e carros quitados, lembra?), resolvem fazer uma última lua de mel para um lugar bacana no exterior. Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália? Não importa para onde, pois o dinheiro vai dar para fazer qualquer viagem e ainda sobra para comprar o enxoval da criança.

Sabendo o sexo ou não, o enxoval é lindo, a viagem é perfeita e você volta super disposta para terminar o quarto do bebê (afinal, seu apartamento próprio tem pelo menos uns três quartos). Decoração de revista, daquelas que faz você suspirar. E, claro, fica pronto muito antes do seu bebê nascer, para se ter tempo de namorar cada detalhe, cada fofurinha. Ah! E você, que tem dotes artesanais super apurados, consegue fazer um móbile, um efeite de parede ou qualquer outro detalhe lindo que super combine com a decoração. Fica fofo e você ainda deixa a sua marca de mãe prendada.

Com quase 39 semanas, você entra em trabalho de parto. A bolsa estoura lindamente, líquido límpido (e em lugar super adequado, você nem suja nada na sua casa). Ainda é dia, de manhã, e não há trânsito algum para a maternidade. Você liga para o seu médico, que prontamente te atende e corre para lá. Vocês chegam juntos e seu trabalho de parto já está super avançado (quase nove centímetros de dilatação).

Em um quarto, com uma equipe super reduzida (médico, pediatra neonatal e uma parteira), o parto acontece. Super rápido. Nada de horas e horas de dor. A dor existe, é latente, mas suportável. Você se conecta com seu lado mais humano e mais animal. O bebê nasce saudável, na presença de pai e mãe. Ele é grande e gordinho. Vai direto para o seu colo e lá fica mamando. Ele pega o peito direto, numa pega perfeita e mama, mama, mama. Espera-se o fluxo sanguíneo parar antes de cortar o cordão umbilical, que o pai corta.

O pós-parto transcorre sem problemas. Não houve nenhuma laceração e logo você já está de pé para tomar um banho. O bebê não sai em nenhum momento das suas vistas (e dos seus peitos). Você só recebe visitas de pessoas muito queridas, que trazem muito carinho e também respeitam o seu espaço de mãe recém-parida.

Você chega em casa e tem confiança para cuidar do seu bebê. Somente os primeiros dias são um pouco mais conturbados, mas logo a rotina se estabelece e você passa a tirar tudo de letra. Já no segundo mês de vida, seu bebê dorme a noite toda. Mama em intervalos quase regulares e você consegue planejar (e executar) pequenas tarefas domésticas (ou não) entre uma mamada e outra.

A relação entre você e seu marido só se estreita. Não existem brigas, cobranças. Os dois se entendem sobre a criação e educação do filho, numa perfeita simbiose de pensamentos. O bebê só veio somar. Rapidamente você se recupera da gravidez, começa a se sentir bonita, desejável e sua vida sexual volta a ser o que era logo após o período de resguardo. Seu corpo está diferente, mas continua bonito, pois os poucos quilos acumulados depois da gravidez já se foram.

Seu bebê cresce lindamente só com o seu leite materno até os seis meses. Nunca teve cólica, refluxo, alergia. Você tem muito leite, mas não teve nenhum episódio de empedramento, sangramento, rachamento. A amamentação transcorre sem problemas, em casa, em público, na frente de amigos (e você não sente vergonha ou qualquer olhar de reprovação).

Seu bebê começa a comer aos seis meses papinhas e se adapta muito rápido. Come muito e tudo o que você oferece. Sempre tudo é orgânico, balanceado e tem todos os nutrientes necessários para o seu crescimento. E o leite materno continua, firme e forte, como sempre.

Você decide voltar a trabalhar quando bem entende, quando acha que é a hora e logo encontra uma escola perfeita para seu filho, que já tem uma vaga praticamente te aguardando. A adaptação transcorre sem problemas. Seu filho ama a escola e você ama seu novo trabalho, com um salário maior do que o emprego que você tinha antes da gravidez. Você faz o que gosta, se realiza profissionalmente e consegue passar esta sensação de realização para seu filho, que cresce vendo uma mãe feliz profissionalmente.

Seu filho cresce saudável, lindo e, principalmente, muito feliz.

6 comentários:

Carol disse...

já pode rir (gargalhar e rolar no chao histericamente)?

e sabe, o resto todo anterior é mentira pra mim, mas a última frase acontece na minha casa sim: acho que meu filho cresce saudável, lindo e, principalmente, muito feliz.

é o que importa, povo! o resto, é resto.

beijao!

Ju disse...

#euquero

posso? tenho que entrar na fila aonde? rs

No mato sem cachorro disse...

Caramba isto dá um excelente roteiro de filme! Sucesso de bilheteria, filas e mais filas, pessoas disputando cambistas, gritaria, faixas, bandeiras, fã clubes, e claro, um Oscar pra melhor filme, diretor, atriz, atores e coadjuvante. A melhor ficção de todos os tempos!

**ferdi** disse...

Bonita essa fábula, Lizandra! :P

Te juro, apesar de na hora não achar nada engraçado, bonitinho ou incrível, a confusão acaba sendo muito mais interessante e legal de lembrar.

A gente sua, mas a gente ri depois. Não sei se é de nervoso, mas ri

HAHAHAHAHAHA (A LOUCA!)

BEIJAS!

Isabela Kanupp (Kira!) disse...

Fico feliz com um pouquinho de cada parágrafo, para mim já está bom! rs.


Beijos

www.parabeatriz.com

Mário Cesar Filho disse...

entrega esse roteiro para o Manoel Carlos! Vai ser perfeito assim lá no Leblon, rsrsrs!